sexta-feira, maio 29, 2009

Sisters of Mercy e Poemas de Morte.



Semana chuvosa, tudo a ver com Sisters of Mercy e poemas de morte.

AEROFLITH
Todas as sextas e sábados, 23hs
Anos 80 – Gothic Rock – Dark Wave – Synth Pop – EBM
NESSE SÁBADO, 30/05, SORTEIO DE 2 VIPS PARA O SHOW DO THE SISTERS OF MERCY
DJs:
Adriano Pacianotto
Canibal
Franco
Washington
Mulher VIP até 0h. – Após R$ 5,00
Homem R$ 8,00 – Casal R$ 10,00
Aeroflith: Rua Toledo Barbosa, 378 - Metro Belém – S. Paulo – SP
REFLEXÕES CONTROVERSAS EM MEU CORAÇÃO DE VIDRO
O que é o amor, senão sofrimento?
Amamos para não nos sentirmos vazios, eu acho. Procuramos a companhia ideal, que supra sonho, carne e espírito, embora, geralmente, não a encontremos... E quando encontramos, é sempre um grande erro.
Vi muitos de meus amigos se casarem por comodismo, deixando o sonho de amor perfeito esquecido. Vi a maioria deles se tornarem infelizes. Eu escolhi um caminho diferente, acreditando no que é puro e simples, embora isso nunca me tenha existido. Eu lutei muitas vezes, e muitas outras desisti no meio do caminho. Eu sofri meus amores com toda a fúria de meus instintos, e no fim, aprendi a ser sozinho...
Não sou capaz de me prender a alguém por quem eu não tenha um carinho infinito, por isso me guardo como um túmulo, silencioso, a espera de visitas, e talvez saudades me trazendo flores.
Eu acreditei por muito tempo que eu morreria cedo, mas sobrevivi, embora saiba do meu fim. Será numa dessas tardes de domingo, onde só há chuva e abismos, e nenhum amigo, e nenhuma voz que me impeça o suicídio.
Eu guardei meu grande amor como uma jóia rara, longe de minhas mãos nefastas. Eu fiz promessas de nunca mais lhe derrubar uma lágrima, de nunca mais lhe trazer mágoas, e nunca mais minha presença.
Meus sorrisos são mentiras que me acompanham, pois sou triste para a vida inteira.
Por enquanto eu vou seguindo a estrada, meu trabalho vai me distraindo, e meus porres vão me dando abrigo.
E quando a noite baixa sua neblina mansa, eu me entrego aos travesseiros, e faço de conta que ela está comigo.
E no dia seguinte, acordando para o mundo terrível, eu me visto de sorrisos, e apenas deixo que o tempo arrume tudo aquilo que me foi partido, ou simplesmente traga logo o meu último suspiro.
Na LUTA!
Adriano Pacianotto

quinta-feira, maio 28, 2009

Há 19 anos era aqui que eu frequentava


A caceta do meu PC está dando os últimos suspiros, mas acho que aguenta até a chegada do meu notebook.

Tinha escrito um texto bacana, mas na última travada ele foi abduzido e deve estar em Marte essas horas.

Acima fotinho que achei aqui, onde tudo verdadeiramente começou pra mim, lá em meados de 1990. Esse é o Espaço Retrô, que tinha como frequentadores, por exemplo, Nasi, João Gordo e Nick Cave.

Pensar que 19 anos se passaram e eu permaneço firme e forte no underground brasuca.


\m/


abraços a todos.


Na LUTA!
Adriano Pacianotto


terça-feira, maio 26, 2009

Orgulho de ser penhense!









PENHA . [Do esp. peña.] S. f. 1. Grande massa de rocha isolada e saliente, penhasco, penedo. 2. Rocha, fraga: "Uma rua de pedra por onde a cada momento eu esperava ver descer o pastor Viriato. O baiano subia aquelas penhas com um desembaraço que me espantava." (Davi Nasser, Portugal, Meu Avozinho, p. 14.) [Dim. irreg.: panela; sin., ant.: pena.]


Fui à padaria, na esquina de casa, hoje no final da manhã, comprar cigarros (esse hábito horrível que quero largar), e na volta, no ponto mais alto da rua, vendo o horizonte, me passou pela cabeça:
Faço esse caminho desde a minha infância, vi a maioria dos prédios se erguerem ao longo do tempo, mudando a paisagem. Vi a longa rua, que se perde de vista, ganhar novo asfalto, lombadas e sinalizações. Vi também mudar minha forma de enxergar a mesma cena. Vi o sol e a chuva infinitamente nas velhas ruas de paralelepípedos. Vi muitas vezes o horizonte tão negro, e tantas outras ele tão claro.
Nesse ponto da rua, antigamente, havia uma pequena lanchonete de um amigo, onde vendiam os maiores hambúrgueres do mundo, e onde eu passei muitos fins de tarde com algumas cervejas e amigos. Posso dizer que o pôr-do-sol ali é uma coisa mágica. Eu moro na Penha, no ponto mais alto de São Paulo (eu acho), rodeado de velhos italianos, e onde ainda existem aquelas casas de portões baixos, terrenos largos e azulejos portugueses. Onde as famílias ainda se conhecem, geração após geração, e os moradores natos tem um orgulho devoto de serem penhenses. Onde se nasce e se quer viver até morrer.
Eu nasci no Brás, e da maternidade vim direto pra cá. Sempre morei aqui, vezes mais presente, vezes só de passagem, mas sempre aqui. É triste ver a degeneração do bairro, um certo abandono das autoridades, e toda política referente a comunidade nas mãos de algumas associações e velhos "barões" que, em benefício próprio, deixaram os menos favorecidos a míngua.
Vale lembrar que a Penha tem um pólo cultural (Teatro, Biblioteca e Casa de Cultura), uma quantidade enorme de edifícios históricos, um dos melhores clubes recreativos da cidade, um comércio extremamente forme (encontra-se de tudo aqui), etc. porém, uma péssima administração por conta da maioria de nossos representantes.
E hoje, descaradamente bairrista, eu exalto meu orgulho de ser penhense! E você? Já parou 5 minutos hoje pra pensar no seu bairro e no que você pode fazer por ele?
Na LUTA!
Adriano Pacianotto

sexta-feira, maio 22, 2009

O mal do século é a solidão


Esperando Por Mim
Legião Urbana
Composição: Renato Russo


Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própriaarrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre.
.............
Apenas em silêncio, e extremamente só.
Na LUTA!
Adriano Pacianotto

quinta-feira, maio 21, 2009

Sementes...




Quanta coisa aconteceu num intervalo tão curto de tempo! Minha casa entrou em reforma, uma troca de piso que tem transtornado meus dias, fui padrinho de batizado, reencontrei amigos, adotei um gato, que mora com a mãe rs, e organizei meu "trampo", finalmente. Isso vale como pedido de desculpas pela demora em responder emails e afins nesses últimos tempos.
A foto é da última baladinha que fizemos no Hangar 110, uma sementinha muito bem plantada que renderá muitos frutos doces.
Mais uma vez agradeço as visitas, e mando um poema novo:

(sem título)

Hoje terei tempo pra pensar em tudo
Nos belos sonhos não vividos
E nos belos sonhos que estou sonhando
Será utopia te amar tanto?
Você é só o que me falta à vida
Fiquei vazio e sem companhia
E talvez eu morra te esperando
Sem o teu sorriso o meu não brilha
Sem tua vida não sou vida
E meu caminho ninguém trilha
Entre paredes eu busquei teus sonhos
E me deixei sentir tua falta
Eu nunca mais velei teu sono
Acho que o tempo nos fez fortes
E agora menos tristes
Embora não menos distantes
Aqui não restava nada
Porque o amor fugiu de casa
E abandonei minha própria alma
Agora tudo fez-se encanto
Minha fé moveu montanhas
E estou pronto pra avalanches
E se outras tempestades de pranto
Vierem dizer que te pedi
Eu partirei, porque te amo


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

terça-feira, maio 19, 2009

Programem-se para a esbórnia!!!!





Hoje é só merchan.
$$$ rs

Na LUTA!
Adriano Pacianotto


Contato
Comunidade no Orkut
http://www.orkut.com.br/Main
Apoio:
ZONA PUNK - http://www.zonapunk.com.br/

AGENDA DJ PACIANOTTO
FESTAS – DISCOTECAGENS – SHOWS


PROJETO GARAGEM
Shows com bandas independentes
Sábados e domingos – a partir das 16hs
Bandas interessadas entrem em contato pelo fone (11) 35340131 ou pelo MSN adrianopacianotto@hotmail.com
Próximas datas
23/05 e 30/05
07/06, 13/06, 21/06
11/07, 12/07, 18/07, 19/07, 25/07
Local:
Vitrola Rock Bar
Rua Coelho Lisboa, 23 – Tatuapé, S. Paulo, SP

AEROFLITH
Sextas e Sábados – 23hs
Anos 80 – Dark Wave – Gothic - EBM
DJs: A. Pacianotto, Canibal, Franco e Washington
Mulher Free até 0H – após R$ 5,00
Homens R$ 8,00 – Casal R$ 10,00
Aeroflith: Rua Toledo Barbosa, 378 - Metro Belém – S. Paulo – SP
DR. PHIBES
23/05 – 22h00.
80’s – Goth – EBM
DJs: A. Pacianotto, Zowie, Gago e Henry
Show: Interlude (The Cure cover)
R$ 8,00 c/ flyer – R$ 10,00 sem
Mulher VIP até 0h.
Rua 7 de Abril, 425 – República – S. Paulo - SP
http://www.fotolog.com/doktorphibes

VITROLA ROCK BAR
30/05 - Open Bar – 23h00
Set DJ’s 80’s & 90’s
DJ’s: A. Pacianotto, Nene Altro & Wlad Cruz (Zona Punk)
H.: R$ 22,00 – M:. R$ 15,00
Local: Vitrola Rock Bar
Rua Coelho Lisboa, 23 – Tatuapé, S. Paulo, SP
CÓDIGO MORRISSEY
Arraiá da Perdição
Quarta, 10/06, Véspera de Feriado
H.: R$ 10,00 – M.: R$ 7,00
A caráter ou com chapéu de palha H.: 8,00 – M: 5,00
Pop, Rock, 80’s, Electro, Alternative, Nacional
DJs: A. Pacianotto - Bruno R. - PH
Local:
Vitrola Rock Bar
Rua Coelho Lisboa, 23 – Tatuapé, S. Paulo, SP
http://www.vitrolarockbar.com.br/
Orkut
http://www.orkut.com.br/Main

MATINÉE ZONA NO HANGAR 110
Domingo, 28/06 – 17hs
Show: FAKE NUMBER
DJs: A. Pacianotto, Bruno R. e Wlad Cruz
Antecipado R$ 10,00 – Na porta R$ 15,00
Local:
Hangar 110
Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro – S. Paulo
http://www.hangar110.com.br/
http://www.zonapunk.com.br/

segunda-feira, maio 18, 2009

Boobarellas, rock 'n' roll e amor eterno.



São quase 4 da manhã, domingo pra segunda-feira, após um fim de semana de correria e corações em chamas.

Finalmente eu consegui não perder pelo caminho o sei lá "quantogésimo" CD do Boobarellas que eu ganhei dos caras mais insanos que conheci ultimamente. A banda é de Curitiba, e estão se mudando aqui pra sampa, e, óbvio, não vai prestar rs. Bom, não vou resenhar porra nenhuma agora, mas estou ouvindo o Cd, "Desamor & Rock ‘N’ Roll" , e o que mais me chamou a atenção, além da boa gravação e da qualidade, é a autenticidade, pois a música reflete exatamente o que esses doidos são. Rock com pegadas de punk/hardcore, traduzindo o universo desses "garotos" quase trintões, que tem como maior valor o fato de ainda acreditarem, nesses tempos de pouca criatividade, no bom e velho rock ‘n’ roll.
Vai um trecho da faixa "100% Eu", pra ter uma idéia da pegada desses curitibanos causadores de tumulto, a grande sensação do Aeroflith na última Sexta rs.
"Ela reclama quando eu bebo, mas me levanta quando eu caio
Me manda embora quando eu chego, mas depois chora quando eu saio
Ela reclama do dinheiro que eu não tenho pra gastar
Mas diz que gosta do meu jeito, por isso deixa eu ficar" (...)
E enquanto rola o Boobarellas, eu me deixo levar em pensamentos...
Penso que, quando temos certeza do que queremos, podemos conseguir.

................
Um gatinho em troca de um momento mágico
De repente, com toda a fúria de um amor que se tornou pra sempre
O gosto do momento nunca esquecido
A saudade que morre aos poucos
A história que se constrói de novo
Ou apenas um momento tolo
Como já havia escrito antes
"Mesmo que este sentimento seja tolo e sonhador
Você será sempre minha tolice mais linda
E meu sonho mais encantador"
E o quão feliz eu seria com a tua luz em minha vida
Pois ficou de mim, um pedaço em ti
E nessa procura vou vencendo a vida
E meus anjos não me deixam cair
................
E durante as andanças pelo underground as mais mirabolantes idéias foram "miraboladas", e o que vem por aí é, literalmente, pé na porta e soco na cara.

Na LUTA!
Adriano Pacianotto

quinta-feira, maio 14, 2009

Tudo mudando e se ajeitando.








Saiu minha nova agenda de eventos.

O 33 Rotações deixa de rolar as quintas no Vitrola e passa a ser uma festa esporádica, com a primeira marcada para domingo, 7 de junho.

Toda primeira sexta de cada mês discoteco na Boogie Night e nas outras no Aeroflith, e aos sábados revezo entre o Aeroflith e o Vitrola, em datas fixas.

O Código Morrissey, projeto em parceria com os DJs Bruno R. e PH, tem segunda edição em 10/06, com uma festa temática de "Arraiá", com direito a decoração, quentão e correio elegante.

O Projeto Garagem segue aos sábados e domingos no Vitrola, com shows de bandas independentes. As bandas interessadas podem entrar em contato comigo pelo telefone 35340131 ou pelo email/MSN adrianopacianotto@hotmail.com

A próxima edição da Matinée Zona no Hangar, que faço com o Wlad do site Zona Punk, rola dia 28/06, com show da banda Fake Number e discotecagem nossa, do Bruno e convidados.

E a partir de julho as edições serão quinzenais.

Na inauguração, no último Domingo, o Hangar 110 representou, com iluminação de primeira, organização impecável, som de qualidade... e fizemos uma bela festa!
Resenha e fotos em http://www.zonapunk.com.br/ver_res_show.php?id=503
E também tem fotos no meu Orkut http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=2030116612141251526&aid=1242235269

Falando em Zona Punk, confiram a entrevista que o Wlad fez com o Andrew Eldrith, vocalista do The Sisters Of Mercy http://www.zonapunk.com.br/news.php?id=10855

E na primeira semana de junho entra no site minha coluna, Interzone. Na primeira edição traz uma entrevista feita pela minha amiga Pri Leite, direto da Alemanha, com Peter Spilles do Project Pitchfork, além de dicas de bandas novas, vídeos, sites, blogs, shows, festas, resenhas, poesias, contos e matérias sobre a cena underground.

Minha agenda completa está no meu fotolog http://www.fotolog.com/jurassicparty

Feito o merchan, encerrro parabenizando uma das pessoas mais importantes da minha vida, a Renata, que faz aniversário hoje. Rezinha, faremos brigadeiros turbinados para a sua festa, e você vai ter um gatinho pra cuidar! Parabéns, minha linda!

E agora...

De volta a labuta.


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

sábado, maio 09, 2009

Acostumando a ser sozinho


Achei a foto a cara do poema. Essa é a Ludi, minha grande amiga, que faz panquecas maravilhosas, se embebeda comigo, é anjo da guarda, fã de Motorhead e Nine Inch Nails e ainda aguenta as minhas crises. Essa é pra casar hahahahahaha
Te adoro, cabeça.
ACOSTUMANDO A SER SOZINHO

Nas tardes de sábado
Nas tardes cinzas
Eu tentava enxergar o mundo
Eu tentava entender meus infortúnios
Eu chorava às vezes
Naquele tempo eu temia tudo
Naquele tempo não havia futuro
Hoje parece mais fácil
Ficaram amores guardados com carinho
Ficaram desprezos abandonados
Ficaram colos confortáveis
Coisas que por muito tempo eu havia perdido
Ou simplesmente não procurava
Eu fico feliz com as suas felicidades
Eu também me encho de saudades
Nem toda perda é abandono
É preciso deixar partir
O amor nem sempre sobrevivi
Entre aqueles que se amam
A paixão envelhece na carne
O coração, depois do pranto, acalma
E às vezes chora lembranças
Mas tê-las vivido traz sorrisos
E nos acostumamos a ser sozinhos


09/05/2009


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

sexta-feira, maio 08, 2009

Das coisas pequenas que me fazem bem



Estou dando uma pausa na publicação dos poemas editados em zines antigos, primeiro porque tenho a necessidade de escrever coisas novas, segundo... bom, segundo porque eu não to afim mesmo rs.

Na verdade acho que esse lance de "desenterrar" esses volumes antigos serviu para me mostrar o quão importante me eram coisas tão simples. Lembro-me de um amigo que dizia que para me ver quieto era só me dar cola, tesoura e umas revistas velhas rs. Pior que era verdade. Fazia parte da minha criação, primeiro eu escrevia meus poemas, naquele tempo escrevia de madrugada, só com uma luminária e todas as outras luzes apagadas, ouvia baixinho discos como o Disintegration, do The Cure ou o Closer, do Joy Division, e no dia seguinte revisava e datilografava os versos, depois juntava tudo, tirava xerox reduzida e fazia as colagens sobre uma folha de sulfite qualquer, e pronto, era só rodar as cópias e distribuir por aí. Bom, confesso que dezenas dessas colagens nunca foram para a gráfica, mofaram em gavetas ou ganharam o fim indigno de tornar-se papel picado. É, eu também tinha dessas, de terminar o boneco e não gostar, enfiar na gaveta e lá deixar por um longo tempo e, enfim, naquelas faxinas de fim de semana, dessas que se faz nas férias, eu jogava tudo no lixo.

Essa época me marcou bastante, foi minha adolescência e juventude, desde os meus 13 anos, isso é lá longe, começou em 1989, quando o mundo era completamente diferente, quando não havia Internet, nem computador direito, quando o CD era a grande novidade tecnológica substituindo os bolachões, quando amor era algo sério, e a vida precisava ser bela a todo instante.

O tempo passou, o mundo mudou, muitos valores se perderam nos corações das novas gerações, mas eu ainda tenho a minha velha máquina de escrever, precisando de manutenção obviamente, mas guardada como a alma daquilo que fez parte de um momento importantíssimo da minha vida. Eu também tenho ainda o Desintegration e o Closer, e mais um monte de coisas antigas. E gosto de tocá-las, observá-las e sentir na lembrança o perfume daqueles dias.

Talvez o fato de eu me encontrar apaixonado feito um adolescente de 15 anos em meus plenos 33 tenha reacendido essa minha chama por vida, novidades, encantos e belezas que só são vistas em momentos de felicidade. E eu redescobri que posso ser feliz com coisas pequenas, aparentemente bobas, mas capazes de tornar o mundo suportável. Eu só preciso de cola e tesoura, poemas datilografados, e um grande amor de carne e alma! O resto é tudo coisa banal da vida cotidiana, essas coisas que fazemos por dinheiro e diversão, essas coisas que não cabem no caixão, e nem darão algo mais digno que um frase feita numa lápide sem lágrimas, do tipo: "Aqui jaz um advogado" ou "Aqui descansa um filho da puta". São essas coisas simples de que falo que farão o destino de cada lápide, porque morrer sem deixar saudades, é o mesmo que nunca ter vivido.

Minha vida vai tomar novos rumos, isso é fato, estou num daqueles momentos em que se tem de reciclar a própria existência, cortar alguns males, se desprender de dogmas furados, abraçar o que realmente merece respeito, cortar vícios, mudar horários, estar preparado para receber alguém novo, e que terá a maior importância de tudo... Acho que vou começar mandando minha velha Remington pro conserto, tirando um dia de folga para ouvir os estalidos de meus discos de vinil e marcando um passeio bobo, com pipoca, cinema e amor infinito.


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

quinta-feira, maio 07, 2009

Carne, Carinho e Instinto



Carne, Carinho e Instinto


Amar perdidamente
Com o olhar sereno da primeira vez
E a fúria do primeiro beijo

Poucas vezes me senti assim
Sem saber o motivo
De tanto querer bem

Eu conheci alguém esses dias
E simplesmente me encantei
E acho que ela percebeu

Mas essas coisas não acontecem comigo:
Carinho e carne ao mesmo tempo
E não uma foda por instinto

Ou acontecem e eu não percebo
Sou amante, e sou amigo
Mas sinto um vazio imenso

Eu queria me apaixonar de novo
Sentir coisas diferentes
Ter passeios de domingo

Talvez ela tenha percebido
Talvez eu seja tolo
Acreditando em amor perfeito

Eu a conheci esses dias
E fiquei ouvindo sinos
Poucas vezes me senti assim

06/05/2009


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

terça-feira, maio 05, 2009

No Solar dos Tristes Dias



Ergueu-se, calmo, em mim
O solar dos tristes sonhos
Que, sombrio e belo, esconde
Corredores onde habitam o mofo
E a saudade de tempos distantes
O solar onde a alma vaga
Entre vasos de orquídeas mortas
E retratos dos que já se foram
Entre sombras e arquitetura gótica
E cupins lhes devorando as cores
Pelas janelas uma brisa sopra
E a poeira flutua em salas
De semblante sério e fúnebre
Enquanto fantasmas vagam na casa
Com seu ar de vela e flores
Caixões navegam balaústres
Como naus em calmaria
Como vultos de carrancas
Como o vulto d’algum dia
Que se apaga da lembrança
E ao ouvir os passarinhos
Corro até a varanda
E me sento na escada cinza
Assistindo o derramar das folhas
E o enferrujar de meus amores
Adriano Pacianotto
Zine Aurora Fúnebre, n. 3 – Fev/2003
Na LUTA!

segunda-feira, maio 04, 2009

Pausa para os comerciais




Voando pra inauguração da Special Needs, no Vitrola...

Segue o merchan das baladinhas do próximo fim de semana:


33 ROTAÇÕES – Happy Hour
Todas as Quintas – das 19hs a 1h
Lounge – Telão – Drinks – Food – Pista - Anos 80
DJs: A. Pacianotto - Bruno R. - Washington
Entrada R$ 5,00
Mulher VIP até 21hs
Local:
Vitrola Rock Bar
Rua Coelho Lisboa, 23 – Tatuapé, S. Paulo, SP

MATINÉE ZONA NO HANGAR 110
Domingo, 10/05 – 17hs
DJs: A. Pacianotto, Bruno R e Wlad Cruz
Show: CINE
Local:
Hangar 110
Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro – S. Paulo
http://www.hangar110.com.br/
http://www.zonapunk.com.br/news.php?id=10459




Amanhã continuo a postar os poemas dos zines.

Abraços a todos


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

domingo, maio 03, 2009

IMPERTÉRRITO IDEALISMO




Acima as colagens originais no Aurora Fúnebre 3.


Domingão, minha sinusite daquele jeito, ontem eu até cochilei na cabine do Aeroflith entre um set e outro, e sonhei com trilha sonora do DJ Washington rs. Mas como a luta continua, pau no cú da sinusite e de todos os outros ites e lá vamos nós outra vez. Hoje a putaria e no Vitrola, no Projeto Garagem, com shows das bandas Retycências, Sonambuloo e No Idea, bandas boas, com compromisso, comandadas por uma garotada que realmente merece espaço e oportunidades melhores que essas cobranças de "jabá" de certos eventos viciados na extorsão faminta e que pipocam por aqui e por ali. E é assim, na base da justiça e do companheirismo, que vamos construindo um alicerce forte para edificar uma nova maneira de fazer a "Cena", e mergulhar em ácido os parasitas.
Mais que nunca com as bandeiras hasteadas, e aquela velha gana de revolução incendiando a alma!
O poema abaixo foi publicado no Zine Aurora Fúnebre, número 3, de fevereiro de 2003, e ele diz tudo.

IMPERTÉRRITO MARXISMO


Ao partir compartilhávamos os mesmos sonhos
O respeito era maior que o ódio
Tenta se vingar de mim pelas tragédias que criaste
A sinceridade é um dos bens mais raros
Tua mão trêmula enxuga a lágrima
Teus olhos não esconderam-me as verdades
E se afastas-te ainda mais
Minhas mãos já não tocam teu corpo
Meus lábios quase não te pedem
E meu corpo já não arde em febre
Embora eu ainda te ame
Eu, que roubei-te a inocência tão cedo
Agora ardo de saudades, mas sem pranto
Aprendi a escolher minhas mágoas
E minhas lágrimas são privilégio de poucos
Meus olhos, já sem brilho
Assistem ao naufragar da nau dos sonhos
Enterrai-vos, tempos de injustiças!
Ao Paredão, meus inimigos!
Olhai nos meus olhos enquanto atiro!
E a bandeira vermelha navega ao vento
Homenageando nossos destinos
Enquanto a foice deita seus mortos
E o martelo vai abrindo caminho
Erguei-vos na derrubada das torres de zinco
Não haverão novos tempos de chumbo
O fantasma de Lenin vem comigo
Neste impertérrito idealismo

Na LUTA!
Adriano Pacianotto

sábado, maio 02, 2009

APÓS MIL OLHARES



Após mil poemas
Descobri que as palavras
Sempre foram desnecessárias
Porque após mil olhares
Descobri que no silêncio
No singelo brilho dos meus olhos
Eu havia dito muito mais

Adriano Pacianotto


Soturno Zine – número 14 – 2002

sexta-feira, maio 01, 2009

JUÍZO FINAL


Atualização rápida, fim de semana corrido.


Poema publicado no zine Black Madhouse 1 – 1999


JUÍZO FINAL

Que seja o crime perfeito
Este que cometemos
Que seja o golpe final
O sorriso sem graça do palhaço imortal

Vou te ferir e alastrar teu corpo em chagas
Beijarei os vermes que devoram tua alma
Chorarei através dos teus olhos sem carne
E foderei uma puta sobre o teu cadáver

Que seja este o dia Final
Que não haja mais futuro
Para que não haja um novo passado
Que seja hoje o aborto da alma

Vou te castigar com falsas mentiras
O feitiço que mancha tua pele rosada
O gemido e o espasmo da dor sagrada
Um Virgem Maria descabaçada

Que seja hoje a morte de Deus
Que seja hoje a glória dos vermes
Que seja hoje o sacrifício
Que morramos mais um pouco

Vou te pedir perdão por tudo
Para que não partas sem teu coração partido
Façamos um trato, como amigos
Aceitemos nosso castigo... e só isso

Adriano Pacianotto

04/07/1998


Na LUTA!
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