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quarta-feira, abril 19, 2023

Colagem: Finados



FINADOS
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

Passei para entregar-te rosas
Compartilhar nosso silêncio
Teus olhos eram tão perfeitos
Que jamais eu me esqueço

Vim trazer-te minhas lágrimas
A saudade que guardo no peito
Nunca mais me dirás nada
Nunca mais carinho ou beijos

Deixo flores sobre a tua cova
Com o cheiro dos que já morreram
Com a dor que desabrocha

Aguardo a tua voz tranquila
Que nunca mais trará respostas
Sufoco o pranto e vou embora

quinta-feira, março 16, 2023

Colagem: No Centro Da Cidade Cinza

NO CENTRO DA CIDADE CINZA
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

É sexta-feira
No centro da cidade cinza
E as mudanças de caminho
Desviam-me do teu brilho
E de tudo o que conheço

No rosto o frio e o vento
Entre os prédios, pequenino
Vejo o quanto tudo é imenso
E o quão distante é o recomeço
Que parece-me impossível

Vejo a vida envelhecendo
E o sol não serve abrigo
Entre as torres de cimento
Onde a chuva doutros tempos
Vez ou outra vem comigo


quinta-feira, março 02, 2023

Colagem: Rebanho de Loucos



REBANHO DE LOUCOS 
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

Assusta-me imensuravelmente mais
A ignorância e o ódio daqueles
Que como selvagens animais
Desmedem seus dizeres
Imundam-se tais quais
Os mais infelizes seres
Que rastejam nos umbrais
Como cães defendendo alqueires
De escravocratas ancestrais

E na oficina do diabo
Nascem bolhas de holocausto
Junto ao limo dos narcisos
E dos egos consternados
De tantos ressentidos
Loucos desalmados
E sábios de improviso
Esse é o mundo paralelo
Onde todo o amor é extinto
E o horror verde e amarelo
Lança tudo ao precipício

segunda-feira, fevereiro 06, 2023

Colagem: Retrocedência



RETROCEDÊNCIA
(colagem e poema de Adriano Pacianotto) 

Uma antiga Era que nos assombra
Tempos de generais
Valores chulos
Que descartamos há muito
Se transformando em salvação
O ódio venceu porque habita muitos lares e enfraquece corações
Ninguém será poupado dessa miséria
Que ultrapassa a matéria e corrói o espírito
O ódio será cravado nas almas em forma de terror
E o terror, sob as várias facetas que lhe nomeiam
Será pesadelo em todos nós


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