Mostrando postagens com marcador escritor independente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritor independente. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 24, 2026

COLETÂNEA ZONA AUTÔNOMA (POESIA ANTIFASCISTA)

 

Em 2020, mergulhados na pandemia e atormentados pelo negacionismo bolsonarista, ninguém sabia se sobreviveria.

Minha esposa e eu passamos a quarentena em um apartamento bem próximo ao cemitério do bairro. Da janela conseguíamos ver a movimentação de sepultamentos que seguiam madrugada adentro. Holofotes e pessoas em trajes sanitários empurrando caixões sem público foram rotina por longo tempo.

Assim como tantos outros, eu estava escrevendo meus versos, e eles não poderiam fugir à realidade de genocídio e destruição daquele momento. Não havia muita esperança, somente mortos e monstros. 

Foi nesse contexto que o poeta Mateus Novaes me convidou para escrever 3 poemas para a antologia Zona Autônoma, organizada por ele e pelo Jairo Costa, com 21 autores que registraram fielmente aquele episódio sombrio da história. 

A coletânea, lançada pela editora Estranhos Atratores na Primavera de 2021, é uma realização em homenagem aos 10 anos da Revista Mortal, com financiamento do Fundo Municipal de Cultura de Santo André. Com material gráfico impecável, é um registro importantíssimo desse instante grotesco de nossas vidas, para que nunca esqueçamos e para que sempre lutemos. 

De minha autoria foram publicados os poemas "DOI-CODI", "Messias Demoníaco" e "Metrópole". 

Também participaram da edição os autores: Felipe Bigliazzi Dominguez, Douglas Souza, Érica Silva, Fernanda D'Umbra, Guigo Ribeiro, Hélio Neri, Izabel Bueno, Igor Ramos, Jaqueline de Lira, Macário Ohana, Marcelo M. Armadilho, Milton Lopes, Nego Dabes, Peterson Queiroz, Renato Roman, Roger Willian, Tatiana Fernandes, Thami Reiss, Thiago Lourenço Oliveira e Vinícius Cordeiro.

Segue abaixo a belíssima apresentação do livro, escrita pelo Jairo Costa:

Em plena quarentena, em uma manhã pandêmica de 2020, um gato apareceu em nosso portão e nunca mais se foi. Era novo, estava magrinho, parecia que não tinha casa...

Procurando por seu real dono ao longo de vários dias, descobrimos que ele não tinha tão somente uma, mas praticamente todas as casas da vila eram sua morada e ele fazia o que queria, a hora que desse nas patas, sem deuses, donos ou mestres.

Investigando sua origem, perguntando dele para os vizinhos, cada um contava uma aventura diferente sobre o peludo, muito querido por todos.

Em uma casa ele fazia companhia para uma senhora solitária, em outra ele ia comer da melhor ração, noutra ele brincava com uma idosa que está com Alzheimer, em outra residência ele deitava e rolava com as crianças, noutra só dormia...

Ao descobrirmos que ele tinha vários lares e em cada um ganhara um nome, começamos a chamá-lo de gato comunitário e logo depois de gato anarquista e quase instintivamente demos a ele o nome de Constantino, em homenagem ao anarco-mor do ABC paulista.

Descobrimos que ele tinha uma família de irmãos gatunos, mas só Constantino se aventurava por novas casas, explorando novos mundos, reinando absoluto em nossa vila, da qual fez sua zona autônoma felina.

Essa pequena história de traquinagem gatuna serve muito bem como metáfora das ilhas de liberdade que por muitas vezes queremos, sonhamos.



MESSIAS DEMONÍACO

Atacam-nos com fúria insana 
(Intolerância conservadora) 
Lançam-nos à margem 
Na esperança inquisidora 
De que obedeçamos à risca 
Toda a pura ignorância 
Da família tradicional fascista 
E suas igrejas milicianas 

Erguem o Alfarrábio Santo 
Repleto de embuste e sangue 
Apontam-nos como pecadores 
Neste instante de maldade 
Em que o insano é a realidade 
E a fogueira dos pastores arde 
Em busca de opositores 

Deus abençoou a pólvora 
E escolheu o senhor da morte 
Como seu representante 

Ao entortar linhas notórias 
O caminho traçado da bala 
Não atinge a carne nobre 
Segue a velha trajetória 
Contra o preto, o índio, o pobre 

Messias demoníaco 
Com seus cães conspiradores 
Com seus traumas freudianos 
E matilhas de censores 
Defendendo a terra plana 
E o ódio aos amores 
Nessa nova guerra santa 
Que transforma Cristo em arma 
Os juízes em farsantes 
E a Justiça em mera trama


Na LUTA!
Adriano Pacianotto

quarta-feira, dezembro 04, 2024

Novo Projeto: SubCulturando - Poesia Underground


Ilustração: Rafael Chabbuh

"SubCulturando" é minha pequena contribuição na difusão da poesia underground brasileira, através de coletâneas digitais com 10 autores cada, publicadas aqui no blog e disponibilizadas gratuitamente em PDF. 

A primeira edição está em produção e sairá em breve. 

Poetas interessados em participar dos próximos volumes podem entrar em contato por e-mail para mais informações: subculturando@gmail.com 

Sempre grato.

Na LUTA!

Adriano Pacianotto


segunda-feira, maio 29, 2023

Labaredas (de amor, desejo e escárnio) - Volume Completo - Poemas de Adriano Pacianotto

 

LABAREDAS (DE AMOR, DESEJO E ESCÁRNIO)

POEMAS
ADRIANO PACIANOTTO


CAPA & ILUSTRAÇÕES
RAFAEL PIRES


2022






Apresentação

Caro leitor, de antemão alerto que estas páginas podem ser desconfortáveis e terrivelmente verdadeiras. Não caminhe desavisado por estes versos incendiários, pois há fantasmas espreitando o fogo e eu não posso controla-los. Não pise em ossos, não revire escombros e não tente acordar os mortos. Apenas entre com cuidado, pois esta é a lira dos errantes, um submundo venenoso e impregnado de amor, desejo e escárnio. Perdoe-me se eu perturbar sua alma, se incomodar seus sonhos ou colocar seus demônios pra fora. Não há garantia de retorno.

Boa leitura.


quarta-feira, abril 19, 2023

Colagem: Finados



FINADOS
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

Passei para entregar-te rosas
Compartilhar nosso silêncio
Teus olhos eram tão perfeitos
Que jamais eu me esqueço

Vim trazer-te minhas lágrimas
A saudade que guardo no peito
Nunca mais me dirás nada
Nunca mais carinho ou beijos

Deixo flores sobre a tua cova
Com o cheiro dos que já morreram
Com a dor que desabrocha

Aguardo a tua voz tranquila
Que nunca mais trará respostas
Sufoco o pranto e vou embora

quinta-feira, março 16, 2023

Colagem: No Centro Da Cidade Cinza

NO CENTRO DA CIDADE CINZA
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

É sexta-feira
No centro da cidade cinza
E as mudanças de caminho
Desviam-me do teu brilho
E de tudo o que conheço

No rosto o frio e o vento
Entre os prédios, pequenino
Vejo o quanto tudo é imenso
E o quão distante é o recomeço
Que parece-me impossível

Vejo a vida envelhecendo
E o sol não serve abrigo
Entre as torres de cimento
Onde a chuva doutros tempos
Vez ou outra vem comigo


counter
counter
 
Copyright 2009 Adriano Pacianotto. Powered by Blogger Blogger Templates create by Deluxe Templates. WP by Masterplan