Mostrando postagens com marcador poesia maldita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia maldita. Mostrar todas as postagens

terça-feira, março 24, 2026

Color For Shane - Live Session - Antes das Quatro, Luto e Mofo

 


O Color For Shane lançou uma live session no YouTube com três sons do álbum novo: "Antes das Quatro", "Luto" (cuja letra é meu poema "Velho Nick Calmo e Baixo") e "Mofo". 

A gravação foi feita pela @criseness no Estúdio Bamboo, em São Bernardo do Campo, SP, em março de 2026. 

Confiram lá e não esqueçam de dar um joinha se gostarem.

E ouçam o novo disco no Spotify: open.spotify.com/intl-pt/album/4uqFITP86e8ZEGEJHMnyga?si=jhGKF1o2RTusHvJ-KFil-A&nd=1&dlsi=1154a18b12da456b


VELHO NICK CALMO E BAIXO

Ficou um dia triste
Velho Nick calmo e baixo
Os olhares descontentes
Tão pesados quanto fracos
Em silêncio pertinente

Ficou um dia sério
Com um ar frio e severo
Velho Nick e fumo ao teto
E o coração, sem muito encanto
Parece indiferente e cego

Ficou um dia cinza
Ora chuva, ora garoa
E um sol sem esperança
De cansaço e pouca pressa
Precisando de descanso

Ficou um dia fúnebre
Repleto de silêncio e luto
Foi-se quem já estava longe
Foi-se, mas eu não me culpo
É recíproco não sentirmos muito

Adriano Pacianotto

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Color For Shane - Um Milhão De Coisas

 

Saiu em 29 de janeiro de 2026 o quarto álbum dos parceiros da banda Color For Shane, "Um Milhão de Coisas", o primeiro totalmente cantado em português.

A sonoridade evoluiu, ganhou novos contornos e elementos, mas preservou a essência garage/lo-fi característica da banda, cheia de camadas, pedais e distorções.

Já as letras são um espetáculo à parte, não apenas por serem em português e se encaixarem naturalmente nas músicas, mas também por serem muito bem escritas, com um imenso peso poético, e interpretadas com exímia sensibilidade pelo Rafael Chabbuh. É um outro Color For Shane, embora ainda inconfundível.

Vale cada uma das 9 faixas, com minha predileção pela belíssima e melancólica "Absurdos (Eu Sou Uma Coleção de Insultos)". Das mais belas canções que já ouvi.

O álbum ainda conta com a faixa "Luto", que tem como letra o meu poema "Velho Nick Calmo e Baixo", que é, certamente, a coisa mais fúnebre já composta por eles. Adorei!

Seguem os principais links para quem quiser ouvir:
  

SPOTIFY

BANDCAMP

YOUTUBE

segunda-feira, maio 29, 2023

Labaredas (de amor, desejo e escárnio) - Volume Completo - Poemas de Adriano Pacianotto

 

LABAREDAS (DE AMOR, DESEJO E ESCÁRNIO)

POEMAS
ADRIANO PACIANOTTO


CAPA & ILUSTRAÇÕES
RAFAEL PIRES


2022






Apresentação

Caro leitor, de antemão alerto que estas páginas podem ser desconfortáveis e terrivelmente verdadeiras. Não caminhe desavisado por estes versos incendiários, pois há fantasmas espreitando o fogo e eu não posso controla-los. Não pise em ossos, não revire escombros e não tente acordar os mortos. Apenas entre com cuidado, pois esta é a lira dos errantes, um submundo venenoso e impregnado de amor, desejo e escárnio. Perdoe-me se eu perturbar sua alma, se incomodar seus sonhos ou colocar seus demônios pra fora. Não há garantia de retorno.

Boa leitura.


quarta-feira, abril 19, 2023

Colagem: Finados



FINADOS
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

Passei para entregar-te rosas
Compartilhar nosso silêncio
Teus olhos eram tão perfeitos
Que jamais eu me esqueço

Vim trazer-te minhas lágrimas
A saudade que guardo no peito
Nunca mais me dirás nada
Nunca mais carinho ou beijos

Deixo flores sobre a tua cova
Com o cheiro dos que já morreram
Com a dor que desabrocha

Aguardo a tua voz tranquila
Que nunca mais trará respostas
Sufoco o pranto e vou embora

quinta-feira, março 16, 2023

Colagem: No Centro Da Cidade Cinza

NO CENTRO DA CIDADE CINZA
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

É sexta-feira
No centro da cidade cinza
E as mudanças de caminho
Desviam-me do teu brilho
E de tudo o que conheço

No rosto o frio e o vento
Entre os prédios, pequenino
Vejo o quanto tudo é imenso
E o quão distante é o recomeço
Que parece-me impossível

Vejo a vida envelhecendo
E o sol não serve abrigo
Entre as torres de cimento
Onde a chuva doutros tempos
Vez ou outra vem comigo


quinta-feira, março 02, 2023

Colagem: Rebanho de Loucos



REBANHO DE LOUCOS 
(poema e colagem de Adriano Pacianotto)

Assusta-me imensuravelmente mais
A ignorância e o ódio daqueles
Que como selvagens animais
Desmedem seus dizeres
Imundam-se tais quais
Os mais infelizes seres
Que rastejam nos umbrais
Como cães defendendo alqueires
De escravocratas ancestrais

E na oficina do diabo
Nascem bolhas de holocausto
Junto ao limo dos narcisos
E dos egos consternados
De tantos ressentidos
Loucos desalmados
E sábios de improviso
Esse é o mundo paralelo
Onde todo o amor é extinto
E o horror verde e amarelo
Lança tudo ao precipício

quarta-feira, outubro 14, 2020

Finados



FINADOS
(Adriano Pacianotto)

Passei para entregar-te rosas
Compartilhar nosso silêncio
Teus olhos eram tão perfeitos
Que jamais eu me esqueço

Vim trazer-te minhas lágrimas
A saudade que guardo no peito
Nunca mais me dirás nada 
Nunca mais carinho ou beijos

Deixo flores sobre a tua cova
Com o cheiro dos que já morreram
Com a dor que desabrocha

Aguardo a tua voz tranquila
Que nunca mais trará respostas
Sufoco o pranto e vou embora

terça-feira, outubro 06, 2020

ELE NÃO! (2022)



ELE NÃO! (2022)
(Adriano Pacianotto)

Navalha na carne
Maldade na mão
Capitão de guarda
Tropa em prontidão

Nas ruas o ódio
O povo sem pão
O circo sem lona
A luta sem chão

Maldade na carne
Navalha na mão
Tropa de guarda
General Mourão

Soldados da pátria
De sangue e exceção
Androides sem alma
Terror da Nação

Tortura na carne
Bíblia na mão
Cachorros de guarda
O bom cidadão

A censura e a farsa
Falsa informação
Que no voto se faça
O poder da razão

Sem borracha na carne
Sem farda e canhão
Que a raiva se acalme
Ele Não! Ele Não!


quarta-feira, setembro 02, 2020

Libertino



LIBERTINO

(Adriano Pacianotto)

Hoje a tarde é cinza
E minha alma atormentada
Mil amores por toda a vida
E nada mais me agrada

Sexo em qualquer esquina
E me entrego por migalhas
De esperança e de carinho
E já não sinto a tua falta

Beijos que escorregam línguas
Ventres misturando insônias
Fluídos de amor perfeito
E lençóis cheios de prantos

O coração sempre partido
O corpo é meu prazer e vício
O gozo é meu melhor sentido
E não cobro nada por isso

Vagabundo e sensível
A todos os olhares doces
Que jamais serão amores
Porque amo o impossível

Sou encanto e sou sozinho
Sou o óbito futuro
Sou o breve suicídio
Sou... Sem resistência alguma


quinta-feira, julho 30, 2020

Estatísticas



ESTATÍSTICAS
(Adriano Pacianotto - Julho/2020) 

Sem vela, velório e pompas
Despede-se a alma escura
Na esquife dos excluídos
Só, ante a sepultura

Sem fé vai seguindo à míngua
E esvai-se em tanta amargura
Despacho sanitarista
Em dias de horror e fúria

Sem vela nem sino e pompas
Segue em burocracia astuta
Enquanto o caixão trepida
Na maca enferrujada e bruta

E segue lacrado e lúgubre
À vala coletiva e surda
Enquanto a escavadeira ruge
Qual monstro que semeia tumbas

Enfim silêncio e obituário
Arquivos e estatísticas
Poeira de genocídio
Macabras questões políticas

sexta-feira, julho 17, 2020

Desordeiro de Inferno


Minos - Gustave Doré

DESORDEIRO DO INFERNO
(Adriano Pacianotto)

Ao som da máquina estridente
O musgo cresce nas paredes
E foi brotando lentamente
De uma fresta aparente
Um rubro galho reluzente

E dele enfim nasceu um fruto
Tão vermelho e tão pequeno
Que, sem motivo evidente
Triturei entre os meus dentes
E fui direto pro meu túmulo

Entrei num mundo diferente
Muito escuro e muito quente
E vi um homem demoníaco
Com grandes dentes pontiagudos
E longo rabo de serpente

Olhou-me e disse, contundente: 
- Eu aqui sou teu coveiro
- Mas prefiro ser-te amigo
- Pois também sou delinquente
- E vejo em ti um companheiro

Logo ouvi que foi crescendo
Um chiado insano-intenso
E explicou-me o desordeiro
Que era o êxtase ofegante
Dos vermes devorando os seres

E nada havia para vermos
Além de almas se afogando
Naquela foça borbulhante
Com cheiro de carne podre
E ausência total de anjos

Então corremos feito loucos
Pulamos como dementes
Em busca de vis banquetes
Afim de devorar os tolos
E as vísceras dos inocentes

segunda-feira, junho 22, 2020

Poeira e Quarentena



Poeira e Quarentena
(Adriano Pacianotto)

Da vitrine empoeirada de minha triste quarentena
Admiro minhas lembranças satisfeitas e importantes
Solitárias e vagantes qual fantasmas em silêncio
Nesta rua conhecida desde tempos tão distantes

São lembranças encantadas do que há muito adormecera
Nos olhares sedutores que a paixão reconhecera
Com saudade antecipada do desejo que morrera
Junto ao brilho e a luz dourada que o vazio escurecera

E o aguardo de um abraço ficou velho, em vão, grisalho
Tão sem pele e amor sagrado; nenhum colo confortável
Tão puído e tão surrado; esquecido e maltratado
Empobrecido e inconformado, em lira insana e insuportável

28/04/2020

quinta-feira, junho 04, 2020

Retrocedência



Retrocedência 
(Adriano Pacianotto)

Uma antiga Era que nos assombra
Tempos de generais
Valores chulos 
Que descartamos há muito 
Se transformando em salvação
O ódio venceu porque habita muitos lares e enfraquece corações
Ninguém será poupado dessa miséria 
Que ultrapassa a matéria e corrói as razões
O ódio será cravado nas almas em forma de terror
E o terror, sob as várias facetas que lhe nomeiam
Será pesadelo em todos nós

sexta-feira, maio 22, 2020

Nenhum Cheio de Alvorada



Nenhum Cheiro de Alvorada
(Adriano Pacianotto)

Desta vez não houve nada
Nenhum cheiro de alvorada
Pôr-do-sol sem muita calma
A esperança indo embora
Sem dizer uma palavra

Sem poemas. Tudo cala
A beleza se apagou
A impaciência fez morada
Nem luar e nem mais nada
O coração me abandonou

Sem olhar de noite alta
Nenhuma lágrima brotou
Não houve porre nem ressaca
Nem sequer instante bom
O vazio me dominara

Naqueles tempos de desgraça
Ao menos eu me machucava
Jogava sangue na vidraça
Enquanto via a minha estrada
Com olhares de gigante

Mas agora já nem brasa
Só fuligem se agitando
Se perdendo pela casa
E infelizes sonhos brandos
Que não queimam mais na alma

quinta-feira, maio 14, 2020

No Centro da Cidade Cinza



No Centro da Cidade Cinza
(Adriano Pacianotto)

É sexta-feira
No centro da cidade cinza
E as mudanças de caminho
Desviam-me do teu brilho
E de tudo o que conheço

No rosto o frio e o vento
Entre os prédios, pequenino
Vejo o quanto tudo é imenso
E o quão distante é o recomeço
Que parece-me impossível

Vejo a vida envelhecendo
E o sol não serve abrigo
Entre as torres de cimento
Onde a chuva doutros tempos
Vez ou outra vem comigo

sexta-feira, maio 08, 2020

DOI-CODI




DOI-CODI
(Adriano Pacianotto)

Nove e trinta
Um grito
Eletricidade e afogamento
E ameaças pavorosas
Aos que pensam livremente
Mas ninguém havia entrado
Para elucidar desterros
Preferiram moer gente

Dez e trinta
Um slogan
Dedos roxos e unhas verdes
Restos num saco preto
E nenhum túmulo aparente
Pois ninguém havia estado
Ali para marcar o enterro
Estavam controlando mentes

Onze e trinta
Uma música
O Hino dos Excludentes
Que deixou um mal sem preço
Mas ninguém havia tentado
Fingir que estava vendo
Estavam na antessala
Do hospício brasileiro


quinta-feira, abril 30, 2020

Nem Luto Nem Memórias



Não tenho a prepotência da verdade
Não me compram as religiões fatídicas
Se sorrio ou choro isso nada importa
Quando enfim chegar a minha hora

Quando o óleo da engrenagem seca
A vida cessa e ninguém chora
Tanto quanto a própria alma
Arrependida do agora

Não tenhas a prepotência da verdade
Não te vendas às religiões fatídicas
Se sorris ou choras isso nada importa
Quando enfim chegar a tua hora

A carne estraga
A madeira estraga
As flores morrem
E o perfume acaba

Profanarão teu túmulo sem nenhum remorso
E sem remorso demolirão tua casa
Nem teu nome restará na placa
Roubarão o bronze e até tuas calças

Pois o mato cresce e o mundo esquece
A terra enterra e o sol se apaga
Nenhuma visita te trará uma prece
Nem suspiro leve de lembrança vaga

Não tenhas a prepotência da homenagem
Ninguém saberá teu nome nem tuas datas
Não lembrarão de ti ao redor da mesa
Em que a tua infância foi amada

Teus pais terão morrido
Também teus filhos e as histórias
Terá teu tempo se esvaído
Não terás luto nem memórias

Não tenho a prepotência da verdade
Não me compram as sanhas políticas
Se reclamo ou clamo isso nada importa
Quando pesarem séculos sobre a minha cova

A seiva dos sonhos terá secado
Todos os sonhos serão esquecidos
E nossos ossos deitarão no ossário
Sem vestígios dos dias vividos

Adriano Pacianotto
21/04/2020

sexta-feira, setembro 14, 2018

A Mesma Farda



A Mesma Farda
(Adriano Pacianotto)

Atacam
Pela direita
Exércitos burocratas
Donos de tudo
Senhores de nada

Carregam
Nas mãos de mercúrio
O ouro e a praga
Armistício e fome
Sulfúrica chaga

Pertences de furto
Em grandes casas
De olhos de chumbo
E portas cerradas

Nação golpeada
Com adaga astuta
Colarinho branco
Terno e gravata

De forma bruta
À mão armada
Com arma fria
E a mesma farda

São Paulo, 04/09/2018

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

O PERFUME DA TRISTEZA BRANCA



Mil erros são poucos ainda
Para somar minhas noites sem sono
Os meus vícios; os meus amores; a cocaína
Você completa meus sonhos
Mas não quer sonhar comigo
Meu passado sem retorno
Meu presente sem futuro
24 horas sem descanso
Passo a vida a pedir socorro
Só você me dá abrigo
Mas não sinto algum conforto
O que há de errado comigo?
Deixa-me sonhar teus sonhos
Meu pesadelo é puro instinto
A vida já não faz sentido
E o sangue escorre em meu rosto
Não consigo dormir
A mentira é meu cotidiano
O dia é estranho
O sol sem brilho
Tão sem brilho meus instantes
Socorro!
Alguém me salve de mim mesmo!
Terça-feira de algum outono
Memórias sem encanto
O dia mais feliz do mundo
Será o dia em que estarei morto
Será o fim deste abandono
Que criei para o infinito
Um universo escuro e estranho
Dias de qualquer outubro
O carinho jogado aos cantos
Como restos de carne podre
Meus olhos ainda sangram
Por mágoas de dias distantes
Lancei-me ao mundo sem muita sorte
Cometi os pecados da carne
Lancei-me em precipícios
Minhas verdades já não dizem muito
Porque ninguém acredita comigo
A solidão é um monstro
Algo que engole a vida
Algo que ausenta a alma
Eu me sinto tão culpado agora
Que nem devo merecer as rosas
Decorando a minha cova
Não mereço as tuas lágrimas 
Não se culpe pelas minhas falhas
Meu coração nunca se acalma
Sou infeliz pra vida inteira
E não sei explicar a causa
Estandarte da revolta
Vou morrer a qualquer hora
E acho que já nem me importa
Obrigado pelo amor singelo
Que teu coração me guarda
O meu ficou tão triste
E só resta-me ir embora

Adriano Pacianotto - 2004

quarta-feira, julho 06, 2016

Ninguém



(Poema de Roberto Lessa, do livro "Pastor de Estrêlas" - São Paulo, 1963)

Pela estrada da vida vão correndo
Os corações - uns pretos outros brancos -
Mas eu, sentado à beira dos barrancos,
Fico olhando o cortêjo se movendo.

Uns vão sorrindo os outros vão sofrendo, 
Uns devagar os outros aos arrancos.
Mas eu, nos meus improvisados bancos,
Apenas olho a procissão morrendo.

E à margem dos caminhos hoje estou,
Sem a cabeça levantar sequer.
Não sigo êsse cortêjo que passou,

E nem seguir a procissão quisera:
Não tenho rumo pois ninguém me quer,
Não tenho pressa pois ninguém me espera.

counter
counter
 
Copyright 2009 Adriano Pacianotto. Powered by Blogger Blogger Templates create by Deluxe Templates. WP by Masterplan