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quarta-feira, setembro 02, 2020

Libertino



LIBERTINO

(Adriano Pacianotto)

Hoje a tarde é cinza
E minha alma atormentada
Mil amores por toda a vida
E nada mais me agrada

Sexo em qualquer esquina
E me entrego por migalhas
De esperança e de carinho
E já não sinto a tua falta

Beijos que escorregam línguas
Ventres misturando insônias
Fluídos de amor perfeito
E lençóis cheios de prantos

O coração sempre partido
O corpo é meu prazer e vício
O gozo é meu melhor sentido
E não cobro nada por isso

Vagabundo e sensível
A todos os olhares doces
Que jamais serão amores
Porque amo o impossível

Sou encanto e sou sozinho
Sou o óbito futuro
Sou o breve suicídio
Sou... Sem resistência alguma


sexta-feira, setembro 14, 2018

A Mesma Farda



A Mesma Farda
(Adriano Pacianotto)

Atacam
Pela direita
Exércitos burocratas
Donos de tudo
Senhores de nada

Carregam
Nas mãos de mercúrio
O ouro e a praga
Armistício e fome
Sulfúrica chaga

Pertences de furto
Em grandes casas
De olhos de chumbo
E portas cerradas

Nação golpeada
Com adaga astuta
Colarinho branco
Terno e gravata

De forma bruta
À mão armada
Com arma fria
E a mesma farda

São Paulo, 04/09/2018

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

O PERFUME DA TRISTEZA BRANCA



Mil erros são poucos ainda
Para somar minhas noites sem sono
Os meus vícios; os meus amores; a cocaína
Você completa meus sonhos
Mas não quer sonhar comigo
Meu passado sem retorno
Meu presente sem futuro
24 horas sem descanso
Passo a vida a pedir socorro
Só você me dá abrigo
Mas não sinto algum conforto
O que há de errado comigo?
Deixa-me sonhar teus sonhos
Meu pesadelo é puro instinto
A vida já não faz sentido
E o sangue escorre em meu rosto
Não consigo dormir
A mentira é meu cotidiano
O dia é estranho
O sol sem brilho
Tão sem brilho meus instantes
Socorro!
Alguém me salve de mim mesmo!
Terça-feira de algum outono
Memórias sem encanto
O dia mais feliz do mundo
Será o dia em que estarei morto
Será o fim deste abandono
Que criei para o infinito
Um universo escuro e estranho
Dias de qualquer outubro
O carinho jogado aos cantos
Como restos de carne podre
Meus olhos ainda sangram
Por mágoas de dias distantes
Lancei-me ao mundo sem muita sorte
Cometi os pecados da carne
Lancei-me em precipícios
Minhas verdades já não dizem muito
Porque ninguém acredita comigo
A solidão é um monstro
Algo que engole a vida
Algo que ausenta a alma
Eu me sinto tão culpado agora
Que nem devo merecer as rosas
Decorando a minha cova
Não mereço as tuas lágrimas 
Não se culpe pelas minhas falhas
Meu coração nunca se acalma
Sou infeliz pra vida inteira
E não sei explicar a causa
Estandarte da revolta
Vou morrer a qualquer hora
E acho que já nem me importa
Obrigado pelo amor singelo
Que teu coração me guarda
O meu ficou tão triste
E só resta-me ir embora

Adriano Pacianotto - 2004

sexta-feira, março 11, 2016

Fel que desce o ralo



Anos vão passando
Desde o último confronto
Que arrancou da vida o couro
E lançou-me a muitos tombos

Fel que vai descendo o ralo
Vai levando minha febre
E lavando a minha carne
Que um dia alimentou os vermes

Adriano Pacianotto
06/04/2014

sábado, junho 07, 2014

Tempo Inexorável


A Persistência da Memória - Salvador Dalí - 1931 

Conciliar o tempo do artista
O tempo da alma
O tempo da vida
Comemorar pequenas vitórias 
Com esmero e júbilo
Eis um segredo miúdo
Diante a imensidão de Tudo

07/06/2014
Adriano Pacianotto 



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