terça-feira, julho 29, 2008

Foi você quem quis assim
Os dias de hoje nada mais são
Do que as respostas que você pediu

Eu cansei de me desculpar
Por todos os erros que não cometi
Meu amor, o inferno é aqui

Você escolheu sozinha o caminho
Que julgou ser o melhor pra mim
E não me consultou

Agora quer que eu te ajude
Que eu faça parte disso
Mas eu tenho vida própria, meu amor

Sei que não entende dessas coisas
Teu egoísmo não te deixa ver
Que tudo que sinto é apenas pena de você

12/05/2007

segunda-feira, julho 28, 2008

THERE IS NO TIME

Tanto que andamos desde quando nos conhecemos.
Quantos se foram? Quantos ficaram distantes?
É a lei da sobrevivência que sobrepõe-se aos desejos...
E nossos anseios são ainda maiores.
E ao querer é que muitas vezes perdemos.
Ficam tão distantes os melhores tempos.
Tempos de sábado à tarde com sol e cerveja.
Tempos em que o mundo ainda parecia mais calmo.
Ilusões apenas...

O mundo devorou a todos.
Uns mudaram-se para longe.
Uns não tiveram mais tempo.
Uns apenas se esqueceram, enquanto outros se cansaram.
Uns ficaram. Outros... ?
E ficaram lembranças amarelas, como fotos antigas.
Ficaram pedaços de mágoas, mofados.

Muito se esqueceu pelos cantos.
Sonhos agora são só transeuntes
Numa esquina qualquer que tocava Lou Reed
Num lugar esquecido.
Que nunca vou esquecer...

Já não moramos nos porões escuros.
Já nem somos tão "ratos-de-sebo".
Ainda guardamos os velhos encantos o máximo que podemos,
Como tralhas no armário,
Pra usar depois, cada um do seu jeito.
Objetivos temos muitos.
Demora sabermos.

Aprendemos quando os erros são graves
O suficiente para nos perdermos.
Ainda sigo, pequeno e forte,
Nestes dias de sonhos enfermos.
É aqui que quero ficar.
Já ergui colunas de ferro!
Tantos hão de querer meu cair.
Mas te tenho do meu lado amanhã
Isso me faz dormir mais feliz

E quando todo o desespero tiver passado
Teremos sobrevivido e nos sentiremos mais vivos
Faremos churrasco, com os amigos, no jardim,
Após a feira de domingo.
Porque deve haver um lugar para nós
No mundo dos sonhos e encantos
Deve haver um apartamento vago
Com nosso número na porta
Ou uma casa vazia para pintarmos
E pendurarmos os nossos quadros
Para depois correr entre os móveis
No chão coberto com plástico
E prateleiras com mil parafusos
Esperando pelos nossos livros

Deve haver nesse apartamento vago
Com nosso número na porta
Ou na casa vazia para pintarmos
Uma sala pequena com uma sacada
Onde o vento sopra tão mágico
E se vê os carros que transitam
Pequenos e muito rápido

E deve haver nessa sala pequena
Noites frias nos esperando
Com chá, leite quente e chocolate
E talvez um filme italiano
Pra assistir jogados num canto
Sem que ninguém nos atrapalhe,
Ou queira roubar nossos encantos.

Novembro/2003

quinta-feira, julho 24, 2008

SOB O DOMÍNIO DO ÓPIO

Aquela estrada maldita se estendia por quilômetros infindáveis, não havia sequer um túmulo à sua volta que não me causasse enorme fascínio, porém, nada se igualava ao feitiço que a desconhecida lápide negra exercia sobre mim. Na última noite um velho demoníaco veio num de meus sonhos e disse-me que eu deveria encontrá-la e cavalgar o enorme verme alado que lá morava.
O céu daquele lugar era de um rosa quase fosforescente e o sol um círculo branco sem luz própria. A estrada era um tapete de mármore com rachaduras que descobriam abismos coloridos. Andei por horas nessa estrada e tudo que me cercava eram fantasmas e mausoléus, nada se modificava, com exceção das raras tempestades de cadáveres que caiam quando o céu ficava amarelo, que obrigavam-me a esconder-me em alguma catacumba abandonada. Essas tempestades tornavam o caminho escorregadio e fedorento, devido ao caldo grosso que escorria dos defuntos espatifados no chão.
Caminhei naquele vale de morte durante cinco dias, alimentando-me apenas de estranhas larvas roxas que brotavam do solo podre do cemitério infinito e bebendo da água negra que pingava dos cones retorcidos que desciam do céu.
Finalmente encontrei a enorme lápide negra, parei debaixo dela, ela flutuava a uns dois metros acima do solo arenoso, e foi naquele exato momento que eu morri. Centenas de demônios de vinte centímetros me sepultaram num caixão circular de ouro, meu espírito se levantou do meu corpo e então, enfim, pude ver a multidão de anjos decaptados pendurados por ganchos flutuantes naquele ar empoeirado e morno. De um buraco cheio de um repugnante gosma verde saiu o enorme verme alado, voou por algum tempo e depois pousou ao meu lado, foi então que cavalguei-o por mais de mil séculos desconhecidos, mas deles nada lembro.
Isso é tudo que sei até vir parar neste estranho deserto agônico. O verme alado desapareceu e o velho demoníaco ressurgiu e disse-me que devo encontrar o abismo azul e semear a vagina morta que mora lá.

domingo, julho 20, 2008

UM BLUES PARA OS DROGADOS

Tudo que tenho (alguns trocados)
Dá pra algumas doses
E também alguns cigarros
Nesta noite regada de blues
E de lágrimas de desabafo

Luzes e letreiros pra tudo quanto é lado
Sirenes de ambulâncias vão gritando ASSASSINATO!
A polícia foge. O rabecão tem fome
Bares fedem subsolos
E este é um blues para os drogados

Um cabaré aos decadentes
- Por favor, um câncer para corações doentes
Perdi você. Estais tão longe
O metrô avança à estação da mente
Este é o blues das lágrimas e da gente

"Onde está a emoção, baby?"
"Eu te amo tanto"
"Quando você me vê, me diga"
"Onde está a emoção, Baby?"

Putas sob o viaduto
Elevado, submundo
Luzes para olhos turvos
Ladrões, travestis e mendigos imundos
Os trocados que tenho não compram boceta alguma no mundo

Tudo que tenho (alguns trocados)
Não pagam sequer um chute no saco
Uma punheta. Um coração abandonado
Hoje eu só vou escrever este blues
Um blues para os drogados

"Só mais uma noite na cidade"
"Com putas, luzes e carros"
"Com tiros, sirenes e assaltos"
"Com choro, conhaque e cigarro"
"Com uma vontade imensa de te ter do meu lado"

Esta é apenas outra noite triste
De tragos vagabundos e amargos
Beijos comprados com migalhas
Uma foto sua, uma navalha e um pulso cortado
E este é um blues para todos os drogados

22/01/1999

quinta-feira, julho 17, 2008

LÁGRIMAS DE UMA VAGINA

Rasgou em mim a vagina suada, quente e faminta
Como uma criança e seu novo brinquedo
Abriu em mim os lábios famintos
Sugou-me o caralho
De costas enterrou-se me pedindo: "minta!"
E eu dizia o quanto a amava naquele instante de cumplicidade
Fodeu-me, fodeu-me com seu cú sedento e apertado
Eu invadia onde não havia mais espaço
E explodiu o gozo pelos cantos
Nem sequer limpou-se e ergueu as calças
Abriu a porta, desviando-se a pia e da privada
Olhou para trás, com os olhos cheios de lágrimas
E tremendo os lábios...:
"Amanhã na mesma hora?"

terça-feira, julho 15, 2008

RESPOSTA

Quê faço agora com esta saudade rancorosa
Que te chora a perda, mas não te quer de volta
Me magoou tanto! Inominável tua revolta
Tua vingança foi desnecessária
Era você quem nunca estava
Porque o amor virou cobrança
E ninguém pode exigir tanto
Tentar mudar o outro
A ferro e brasa o tempo todo
Era você quem me abandonava
Desvaloriza o próprio corpo
Vende a própria alma
E insiste em me mandar a conta
É só terror que vivo agora
Abandonado, transformado em escombros
Porque você cortou minhas asas
Me jogou num precipício
E eu aos gritos
Procuro alguém que me segure
Que me de colo e mais respostas
Para esses absurdos
Que mataram meus sorrisos
Eu desisti da nossa história
E agora aceito o meu castigo
Talvez encontre outro destino
Talvez eu morra, apenas isso

19/02/07

sábado, julho 12, 2008

AS ESQUINAS E SEUS BUKOWSKI’S

Há tempos não transito nestas ruas. Há tempos não enxergo algo diferente. Tudo segue seu rumo na tranqüilidade de um cotidiano cinza e desbotado. "Boa noite!", disse-me um senhor que aparentava uns 60 anos, mas talvez tivesse menos, e apenas carregava as rugas fundas de uma vida estranha. "Gosta de poesia?", perguntou-me com um olhar tão sereno e sábio, com olhos que não envelhecem, nem se amargam. "Gosto". Comprei um pequeno livrinho, uma folha impressa em xerox, dobrada em muitas partes, e com pequenas poesias simples, mas cheias de verdade. E continuei caminhando na avenida fria, contra o vento empoeirado, e estampei um sorriso... Ainda existem, nas esquinas, seus Bukowski’s.


Ps.: o nome desse poeta é Davi Costa, e se alguém quiser entrar em contato com ele é só enviar um email para meuamigodhavi@yahoo.com.br.

quinta-feira, julho 10, 2008

OUTRO DIA DE RESSACA

Outro dia de ressaca. Isso tá me cansando. Perdi o controle de minha agenda, perdi o controle de meus horários, perdi o controle de meus trabalhos, perdi o controle de minhas histórias, e perdi o controle de minhas saudades.

Parem o mundo que eu quero descer....

Preciso ir ao banheiro, dormir e comer, e... todas essas coisas simples que me têm sido impossíveis de fazer.

Me sinto triste hoje, ou talvez apenas aborrecido, entediado. Uma bomba relógio prestes a explodir e deixar muitos mortos.

Acho que eu só queria voltar a sorrir por coisas bobas, e não por álcool.

Acho que eu só queria alguém que me mostrasse outra vida.

Às vezes quero jogar tudo pro alto, dar um chute em mim mesmo e me arremessar para muito longe, onde eu não seja o "cara pop", e tenha tempo para cinema e um pouco de colo.

Eu sou o fim de semana que diverte a todos, ou simplesmente o "bobo-da-corte" ...

Eu sou de muitos amores que não sobrevivem a toda esta morte.

terça-feira, julho 08, 2008

TEU GOSTO PELOS CANTOS

Nunca é tarde pra recomeçar
Mas quanto mais cedo mais difícil
Ou deveria ser o contrário?
Não me arrependo do que faço
Mas mesmo assim vivo arrependido
Ou deveria dizer embriagado?
Inconseqüente de meus atos?
Amanhã de manhã lembrarei de tudo
Em flashs e vergonha
Quem eram as pessoas que estavam?
Só sei que você não estava
Mas eu te trazia comigo
Nos olhos fechados de um beijo perdido
Na minha boca sem sorrisos
Preciso da depressão para escrever meu hino
Preciso de uma bandeira mais forte
Com teu nome escrito
Preciso de sangue conhecido
Confiança e instinto
Confissões de amores malditos
Com palavras duras...
Copos vazios para esquecer rancores
Risos sem motivos
Será que um dia estará aqui
Com teus olhos de menina?
A cama fica sempre vazia
A insônia me seguindo
A saudade me matando
O desejo consumindo
Toda imaginação e mito
Meu amor platônico
Vem ao meu encontro
Com os braços se abrindo
E corpos se entrelaçando
As lágrimas sumindo
O copo mágico não traz conforto
Nem me faz mais vivo
Recomeço após ser morto
A vingança foi meu preço
E continuam se vingando
Outra noite, drinques, prantos
O cortejo se aproximando
Me dê teus olhos de anjo
Teus cabelos bagunçados
Suores permutando
Quem sabe até amor eterno
Ou outras noites sem sono
Na esperança do teu rosto
E teu gosto pelos cantos

16/06/07

quarta-feira, julho 02, 2008

DESCENDO

Descendo junto aos ratos
Num porão escuro e úmido
Descendo em outros rostos
Para chorar a desgraça do mundo

Descendo enquanto minhas mãos
Não podiam alcançar as tuas
Chorando a saudade e a solidão
No caminho triste destas ruas

Descendo enquanto estavas longe
Te amando até o amor me consumir
Descendo a cada hora um dia a mais
E a cada dia mais distante de ti

Descendo no escuro
Para muito longe daqui
Descendo no esquecimento
Onde nunca te esqueci

Descendo até o fim
No pesadelo de existir
counter
counter
 
Copyright 2009 Adriano Pacianotto. Powered by Blogger Blogger Templates create by Deluxe Templates. WP by Masterplan